O XIII Seminário Internacional As Redes Educativas e as Tecnologias celebra nesta sua 13a edição, os 25 anos de sua criação. Ao comemorar, em 2026, um quarto de século como evento bienal internacional, reafirma-se como espaço de invenção, diálogo e partilha, que tem, ao longo de sua trajetória, mobilizado redes de pesquisadores, professores, estudantes e comunidades educativas em torno da reflexão sobre outras epistemologias e a área da pesquisa em educação. Sob o tema “25 anos entre memórias e confluências no (im)possível”, o Seminário propõe uma travessia que articula memória, tempo e criação como forças constitutivas de um pensamento coletivo, insurgente e comprometido com a vida na direção construir novos tempos e criar futuros para “não ninar os da casa grande”(Evaristo, p.36, 2006), mas como prática que interroga, tensiona e desestabiliza ordens injustas. Ao nos inspirarmos na função política da memória e a partir dela pensarmos o tempo na trajetória do seminário Redes que também é uma trajetória que se relaciona com pensar os últimos 25 anos da pesquisa e da Educação em nosso país, nos colocamos diante do compromisso do evento em refletir sobre esse tempo conjugando de modo outro o que passou, o que se passa e o que poderá se passar no campo de possíveis que se institui com as práticas e problematizações que emergem no evento através das pesquisas e experiências partilhadas.
Nesses 25 anos, o Seminário Redes, como ficou conhecido na área, tem buscado estabelecer diálogos entre pesquisas desenvolvidas no Brasil e no exterior, por grupos com os quais as Linhas de Pesquisa do ProPEd/UERJ, somadas aos Programas de Pós-graduação em Educação parceiros, todos também da UERJ, mantêm interlocução. Essas pesquisas se relacionam com as temáticas dos diferentes subgrupos no campo das relações entre tecnologia e educação, cotidiano e produção de conhecimentos.
Tendo em vista os 25 anos do evento e os desafios que enfrentamos na Área de Educação ao longo desses anos, com maior foco nas questões atuais que interrogam o campo das pesquisas, inspiramo-nos, nesta edição, na noção de tempo espiralar desenvolvida por Leda Maria Martins (2021). Para ela o tempo não é linear, sucessivo nem cumulativo, mas um movimento de retorno, impossibilidades, conflitos e reatualização, um tempo que se dobra sobre si mesmo, em ancestralidade e processualidade. É o tempo que contém o prefixo “re”, de que fala Martins (2021): remorrer, reatar, reinstaurar o porvir, um tempo que se faz e refaz continuamente, em um gesto de memória do futuro. Nesse tempo, como lembra a autora, o passado não se encerra, o presente não se fixa e o futuro não é promessa distante, mas espiral viva na qual os acontecimentos se entrelaçam, instaurando uma temporalidade própria às experiências coletivas e às redes educativas. Compreensão que entendemos favorecer a pensarmos a atualização dos problemas e das respostas, ainda que provisórias, a que chegamos no campo das pesquisas e experiências educativas frente aos contextos desfavoráveis que de modo mais amplo enfrentamos na sociedade.
Celebrar 25 anos do Seminário Redes é, assim, habitar essa espiral: revisitar o que fomos e o que fizemos sem a nostalgia do que passou, reconhecendo que o que somos hoje é também o eco e o desdobramento das presenças e saberes que nos antecederam. A trajetória do Seminário se constitui nesse movimento rítmico e contínuo que, ao longo de um quarto de século, teceu uma história marcada pela resistência, pela criação docente e pelo compromisso ético-político com a educação pública e democrática.